A estreia da campeã do mundo no Grupo J do Mundial 2026 tem o rótulo de favoritismo para a Argentina, mas olhando para os dados do jogo e para a forma recente da Argélia, a ideia de uma vitória tranquila dos argentinos por mais de um golo de diferença parece menos óbvia do que a linha de handicap sugere.
Lionel Scaloni deve apresentar o seu melhor onze, com Lionel Messi, Lautaro Martínez e Alexis Mac Allister no ataque. A defesa, porém, tem uma baixa de peso: Nicolás Tagliafico está fora por lesão, o que força Facundo Medina ou Lisandro Martínez a fazerem de laterais esquerdos. É um ajuste defensivo que pode dar liberdade à Argélia para explorar as transições.
Argélia com plano e um guarda-redes decisivo
A equipa de Vladimir Petkovic não vem para o jogo a fazer figuração. O triunfo frente aos Países Baixos (1-0) no último particular mostrou uma equipa compacta, que sofreu mas que também teve a capacidade de ferir o adversário nos momentos certos. Luca Zidane foi o homem do jogo, com várias defesas de alto nível, e é exatamente esse o trunfo principal da seleção argelina para este jogo: um guarda-redes em estado de graça que pode anular as melhores ocasiões argentinas.
A Argélia deverá alinhar num 5-4-1 ou 3-4-2-1, com uma linha defensiva bem organizada e transições rápidas pelos pés de Riyad Mahrez e Amine Gouiri. A lesão de Tagliafico na Argentina e a ausência de um lateral esquerdo de origem abrem um corredor pelo qual a Argélia pode tentar criar perigo, algo que os neerlandeses também tentaram, mas com menos sucesso devido às defesas de Zidane.
A motivação argelina é alta: sabem que um bom resultado frente à Argentina pode definir o rumo do grupo, e a própria equipa já mostrou, no particular com os Países Baixos, que consegue competir ao mais alto nível. A diferença de qualidade existe, mas não se traduz necessariamente numa goleada.
Argentina controla, mas sem brilho
Os últimos amigáveis da Argentina (3-0 à Islândia, 2-0 às Honduras e 4-1 ao Brasil nas eliminatórias) mostram uma equipa que controla os jogos, mas que nem sempre consegue transformar esse controlo em muitos golos. Contra a Islândia, o jogo estava 1-0 até Messi entrar; contra as Honduras, a vitória foi por 2-0, sem brilhantismo. A diferença de golos esperados (1,6 para a Argentina, 0,7 para a Argélia) sugere que o mais provável é um jogo de poucas ocasiões claras, com a Argentina a vencer por margem curta.
O próprio Scaloni já disse publicamente que a primeira partida não é decisiva e que a equipa está preparada para diferentes cenários, o que pode levar a uma gestão de esforço e a um ritmo menos intenso, especialmente se o resultado estiver favorável. A Argélia, por seu lado, sabe que um empate seria um resultado excelente e que perder por um golo de diferença mantém a esperança viva para os jogos seguintes.
Ou seja, o mercado parece estar a dar demasiado crédito à lógica de que a Argentina, por ser favorita e campeã, vai golear na estreia. Mas a realidade do jogo é que a Argélia tem argumentos para evitar uma derrota por mais de um golo, especialmente com um guarda-redes como Luca Zidane e uma estratégia defensiva bem definida.





