Preparem os corações, porque os campeões do mundo entram em campo! As bancadas do Arrowhead em Kansas City vão estar a rebentar pelas costuras de adeptos albicelestes, e as casas de apostas já estão a salivar com a ideia de uma verdadeira tareia. Olharam para o crachá da Argentina, viram o nome de Lionel Messi e alinharam as odds de golos num prato bem raso. Mas deixem-me dizer-vos: isto é uma armadilha escandalosa das linhas. Quem for na cantiga do espetáculo de luzes vai bater com a cara num muro tático perfeitamente estudado.
O flanco coxo e a parede no miolo
As linhas do mercado estão completamente cegas a um buraco estrutural gigantesco no onze de Lionel Scaloni. A lesão e ausência confirmada de Nicolás Tagliafico afeta absolutamente tudo. O que é que isto significa na prática? Significa que a Argentina perde a sua principal asa de profundidade lateral! Scaloni vai ser obrigado a adaptar um defesa central puro — como Facundo Medina ou Lisandro Martínez — ao flanco esquerdo. Acabaram-se as cavalgadas mortíferas naquele corredor.
Sem aquele carril aberto, a equipa sul-americana vai afunilar e tender fatalmente para o centro do relvado. E é aí mesmo que a casa vai abaixo e o caldeirão ferve. Onde a Argentina se vai estreitar, a Argélia tem um bloco de betão armado de braços abertos. Vladimir Petkovic não veio aos Estados Unidos a passeio. O selecionador argelino montou aquele esquema híbrido que já faturou e testou os níveis de paciência ao Uruguai, e tem os seus jogadores a morder arduamente os calcanhares a cada centímetro de terreno.
Gerir o motor e adormecer o jogo
Quem pensa que a Argentina vai entrar a disparar contra a baliza não tem prestado atenção ao tom de Scaloni. O treinador já deitou gelo puro nas expectativas, avisando de forma pragmática que o primeiro jogo se gere passo a passo. O modus operandi que se desenha é feito de cinismo e gestão térmica: faturar um golo, ou no máximo dois, e a seguir meter o jogo no congelador com posse de bola atrás. Para lá do mais, o guarda-redes Emiliano Martínez está a jogar com o dedo recentemente fraturado num período de recuperação onde ninguém se atira para o perigo à queima-roupa.
Paralelamente, a Argélia sabe que está aqui para se defender com o coração. O verdadeiro bilhete da sua qualificação para a próxima fase sairá nas batalhas frente à Áustria e à Jordânia. Não há rigorosamente razão para subidas suicidas nesta noite. Perante um duelo sem asas, fechado a sete chaves num labirinto central maçador, as hipóteses de um quadro pintado com poucos golos são avassaladoras.





