Vinte e oito anos depois, a Áustria volta a pisar o relvado de um Mundial. A espera foi longa e o sorteio não foi simpático: Argentina, Argélia e Jordânia num grupo onde cada ponto pode ser decisivo. Por isso, o jogo de abertura contra a seleção jordana é tratado como uma verdadeira final pelo selecionador Ralf Rangnick. A equipa está concentrada e motivada, e as declarações dos jogadores e do treinador deixam claro que não há margem para facilitismos.
O duplo golpe na frente de ataque jordana
Se a Jordânia já partia como clara underdog, a situação complicou-se ainda mais com as lesões que afetaram o seu setor ofensivo. O avançado Yazan Al-Naimat, principal referência na fase de qualificação, sofreu uma rotura do ligamento cruzado anterior e está fora do torneio. A juntar a isto, Ibrahim Sabra, outro elemento importante no ataque, também ficou de fora devido a uma lesão no tornozelo sofrida num treino. São duas baixas de peso que limitam seriamente a capacidade de a Jordânia criar perigo.
Sem estas duas peças-chave, a equipa treinada por Jamal Sellami fica muito dependente de Mousa Al-Taamari e Ali Olwan. Al-Taamari é um jogador de qualidade, capaz de desequilibrar em transição, mas a profundidade do banco perdeu-se. Nos particulares recentes contra a Suíça (derrota por 4-1) e Colômbia (derrota por 2-0), a defesa jordana mostrou fragilidades e o ataque revelou falta de eficácia quando o adversário subiu a pressão.
A Áustria chega com a espinha dorsal intacta
Do lado austríaco, há a lamentar a ausência forçada de Christoph Baumgartner, que se lesionou no aquecimento do particular com a Tunísia. É uma perda importante, pois Baumgartner é um médio ofensivo que aparece bem na área e pressiona alto. Contudo, a espinha dorsal da equipa está disponível: David Alaba parece recuperado de um desconforto e deve começar no centro da defesa; Konrad Laimer, fundamental no sistema de pressão, está a postos (o cartão vermelho no amigável não tem efeito suspensivo); e Marcel Sabitzer, o cérebro da equipa, chega em boa forma, tal como Marko Arnautovic na frente.
Rangnick já avisou que não fará experiências — a equipa titular foi decidida e treinada em sigilo. O onze provável inclui Schlager na baliza, uma linha de quatro com Posch, Lienhart, Alaba e Mwene, um meio-campo com Xaver Schlager e Seiwald, e um trio ofensivo com Schmid, Sabitzer e Arnautovic, com Gregoritsch ou Kalajdzic na referência. Há soluções no banco, como Carney Chukwuemeka, que já marcou na goleada sobre o Gana.
O que dizem os números e o contexto
Nos últimos cinco jogos, a Áustria venceu quatro, com destaque para o 5-1 ao Gana. É verdade que alguns resultados foram magros (1-0 à Coreia do Sul e à Tunísia), mas a equipa mostrou solidez tática e capacidade de sofrer para ganhar. A motivação extra de estrear-se no Mundial com um triunfo é um fator que não se deve subestimar. Rangnick referiu que este jogo é “marcador de direção” para o torneio.
A Jordânia, por seu lado, chega com o ânimo elevado por ter alcançado o primeiro Mundial, mas as exibições recentes contra adversários de nível europeu mostram diferenças claras de intensidade e organização. O seu ponto forte é a combatividade e a crença no grupo, mas a ausência de dois finalizadores de topo reduz a margem de erro.
O mercado parece ter subestimado o impacto das lesões na Jordânia. A odd para a vitória da Áustria, fixada em 1,38, reflete favoritismo, mas não totalmente o fosso real entre as equipas quando se considera a dupla ausência ofensiva jordana e a postura determinada da seleção austríaca. A alternativa de apostar no handicap -1,5 teria mais risco, uma vez que a Áustria tem vencido com frequência por margens curtas; por isso, a aposta mais direta e segura é mesmo a vitória austríaca.





